
São as privações da vida que revelam o verdadeiro caráter das pessoas, são nos momentos mais difíceis que conhecemos o valor das pessoas.
Quem já não passou na vida por uma situação limítrofe onde as pessoas se desfizeram de suas máscaras sociais e finalmente se revelaram, e a partir deste momento o seu conceito sobre aquela pessoa mudou completamente, para melhor ou para pior. Um amigo meu diz que não necessitamos de situações tão extremas assim para revelar a verdadeira natureza de uma pessoa, basta observá-la fora do seu habitat social, sozinha.
Há algum tempo, li um artigo muito interessante sobre um longo processo de seleção para o cargo de vice-presidente de uma grande empresa inglesa onde depois de passadas todas as etapas ainda restou dois candidatos de excelente nível, e a decisão ficou a cargo do presidente da empresa, que, imediatamente, escolheu um, e justificou para sua diretoria o motivo. Ambos eram tecnicamente preparados para o cargo em todos os sentidos, mas o que pesou na balança em sua avaliação foi uma cena ocorrida antes mesmo do processo iniciar, quando os dois candidatos estavam no mesmo vagão do metrô londrino* e uma senhora idosa entrou e se posicionou em pé ao lado de um deles, que estava lendo o jornal e, mesmo percebendo a sua presença, ignorou-a. Segundos depois, o outro se levanta de seu lugar, no final do vagão, e convida aquela senhora a ocupá-lo. Disse o presidente que esse foi o critério de desempate utilizado, pois, segundo sua experiência, este candidato mostrou-se um ser humano mais preparado. E o mais curioso desta história, a meu ver, é que o 2o candidato nunca deve ter descoberto que o motivo que lhe fez perder o cargo foi o de não ter cedido o seu lugar no metrô para uma senhora idosa.
Por isso, atenta a sua real natureza, pois ela pode despertar, em qualquer momento, em qualquer lugar e se não for condizente ao que você demonstrar ser ao mundo, todas as suas máscaras cairão, colocando em cheque o seu caráter. Pense nisso!
(Carlos Drummond de Andrade).
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