segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

TEMPO MÁGICO!




Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.


Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos a limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena!

domingo, 4 de dezembro de 2016

Aprendizado


Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.
Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta.

Traduzir-se





Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

Não há vagas



O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CONTRADIÇÃO DO SER




O ser é tão incompreendido
Que pode deixar de ser
Pode deixar de amar
Pode deixar de sorrir
Pode deixar de viver.
Sendo, já não é
Se não for o que o outro quer
Tem de ser a reprodução,
A masturbação para o gozo alheio
Enquanto ser pode ser feio.
Amando, não é amado
Pode estar em pecado
Se olhar para o lado
Já não tem do seu lado
Aquele ser tão amado.
Sorrindo, não é sério
Brincando de verdade
Deixa de ser triste
Passando a alegria
Daquilo que não existe.
Vivendo, incomoda
Pois a vida é uma droga
Que para uns é o trampolim
De pensar que viver

Não tem fim.

domingo, 9 de março de 2014

Laços de Afeto



Como definir o afeto...
Se não for pelo encontro, reencontro e emoção.
Ao ficarmos fechados em nosso mundo de tristeza e 
desconfiança, de angustia e de dor, como poderemos
desfrutar destes laços de Amor...
A coragem é que nos faz sentir estes momentos de afeto e ternura...
Coragem de esquecer ressentimentos,
Coragem de mostrar fragilidade, 
Coragem de mostrar imperfeição,
Coragem de aprender a perdoar,
Coragem de sorrir e chorar, mesmo
quado o coração está apertado, para explodir...
Para tudo precisamos de coragem,
mas principalmente, precisamos da coragem
de nos libertar das amarras do ódio.
A vida é tão breve...
Nosso tempo ninguém sabe qual é...
Só temos a certeza que teremos uma eternidade pela frente. 
E porque não fazer como o poeta: 
"Que seja eterno enquanto dure"
Os laços de afeto, laços de tios, laços de primos,
laços de irmão...

Nara Vidal

Por uma vez na eternidade


Poeminha nada doce Tudo VALE a pena Se a pena não é minha E a propina não é pequena. (Ana Paula Rodrigues)