sábado, 29 de maio de 2010

O Auto-Reconhecimento


"O auto-reconhecimento é lembrarmos de quem realmente somos e do quanto já sabemos, e utilizarmos esses recursos no agora, independente das circunstâncias e do lugar.

A sensibilidade é a linguagem que viabiliza esse despertar. Promover a parceria entre sentir e pensar em todas as atividades do dia-a-dia nos aproximará à intimidade de nosso ser e uma sintonia mais fina com a vida.

Diante de tal providência levemos em conta que o grau de dificuldade ou facilidade que encontraremos nesse processo será estabelecido pela determinação de buscarmos o melhor, e não o que nos convém.

As situações que nos incomodam e que supostamente são provocadas pelos outros, servem de espelhos para nos mostrar aspectos em nós que não admitimos ou que, simplesmente, ainda ignoramos. Em todo aprendizado, as dificuldades são naturais e, se aceitarmos essa inevitabilidade o caminhar se tornará mais leve."

OBRA DE AMOR!


(Auber Fioravante Júnior)

Do fogo,
Vieste em carruagem dourada
Embriagando em lácteas essências
O verbo comunhão, o celebre agudo
Dos olhos marejados em lamentos!

Raros sonetos,
Grafaram em alvéolos cumplicidade,
Atos romanescos intuindo música,
Imortais codinomes ditos e lidos
No silêncio das faces dentre o condão!

Em mil canduras,
Desabrochei teu colo em purpurina
Ouvindo d’aura teus versos tradutores
Inundados de lírios mágicos
Pintando na pele uma obra de prazer!

Quero a flor violeta por inteiro
Fluindo em lirismo, me seduzindo
A mais um êxtase em teu céu
De velas lançadas ao etéreo,
Ao vínculo dos veios sublimados
Em pérolas de amor!
***Lindo sábado pra você...

ÉS TU...MEU MAR!


És meu porto solidão e companhia
Navegando nas águas da emoção
Te transformo em minha poesia
Viajando nas asas da inspiração.
Solitária, salgada, mas em cores
Escorrendo pelo mundo afora
Arrastando lembranças, segredos, temores
Deixando saudades, a nuvem chora.
Poesias são cartas de amor apaixonadas
Pelas correntes marítimas velejando
Nos corações poéticos aportadas
Que da mente inspirada vão brotando.
Tua volta fico sempre a esperar
Nua, despida em pensamento
Nesses versos em procuro revelar
O mar e meu coração neste momento.
(M@ José )

quarta-feira, 26 de maio de 2010

NUNCA MAIS...


Nunca mais (Quoth the raven: Never more)


Nunca mais eu me pinto,
Com esmero feminino
Para te dizer quem sou.

Nunca mais te escrevo,
Cartas do meu íntimo
Te jurando pudor.

Nunca mais te perdôo,
Com lágrimas nos olhos
E no rosto, um rubor.

Nunca mais eu te verso
Nem por outros versos
Para acalentar minha dor...

Nem mais desespero
Só porque eu te quero
Ébrio de amor...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

QUASE


(Sarah Westphal Batista da Silva)
Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

DIVAGAR DAS MÃOS!


(Auber Fioravante Júnior)

Nas pegadas,
A sina em versos cristalinos
Concebidos naquele luar,
Naquela janela aberta pel’alma
Incontida em intuições,
Altiva aos mais belos ensejos!

Em claras venturas
Recolho-me aos meus devaneios
Levado pela outra taça sobre a mesa,
Cevando meus verbos, meus anversos
No divagar das mãos, na gota do olhar!

Dentre as velas,
O corpo violeta em entalhes mágicos
Entoa-me mais um entrelinha,
D’onde cultivo brisas, néctares,
Um sopro atenuante ao coração!

Pelo aço do piano
A voz inebriante no afago do lábio,
Dizer-te “eu te amo”, sem dor,
Em preces sublimares, no silêncio,
No veio calado da sofreguidão!

PERDÃO


(Silvana Duboc )


Não sei se o perdôo ou se peço pra ser perdoada,
se digo que você errou ou admito que fui eu a errada.
Não sei, afinal, se o perdão é necessário entre nós
pois nosso coração não diz o que diz a nossa voz.
De nossas bocas ecoam palavras desgovernadas
e dos nossos corações verdades comprovadas.
Temos seguido uma estrada difícil e conturbada,
no entanto precisamos lembrar
que ela quase sempre nos leva ao mesmo lugar.
Ela insiste em não nos separar
e é a isso que temos que nos agarrar.
Até quando, por um deslize, tomamos estradas diferentes
elas são paralelas e convergentes.
Não sei se a palavra perdão, no nosso caso,
realmente consegue ter algum significado.
Perdão é algo que, por nós, não precisa ser pedido,
muito menos precisa ser dado.
No final das nossas histórias
tudo acaba sendo enterrado
e o que fica em nosso coração e na nossa memória
é o sentimento que conseguimos plantar
e que temos cultivado sem cansar.
Acho que a melhor forma de interpretar
o que eu acabo de relatar
é que tudo isso significa - saber amar.

Poeminha nada doce Tudo VALE a pena Se a pena não é minha E a propina não é pequena. (Ana Paula Rodrigues)