sexta-feira, 3 de setembro de 2010

AMOR


Amor,
que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.

- Luís Vaz de Camões -

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Poeminha nada doce Tudo VALE a pena Se a pena não é minha E a propina não é pequena. (Ana Paula Rodrigues)